Existem numerosos métodos para desenvolver o sentido dos símbolos entre os que se esforçam por entender as forças
ocultas da Natureza e do Homem, e para ensinar os princípios fundamentais assim como os elementos da linguagem esotérica. O mais sintético e um dos métodos mais interessante é o Tarot.
P. D. Ouspensky
O Tarot é um sistema
simbólico que tem como suporte físico
um baralho de 78 cartas, antepassado das nossas modernas cartas de jogar. Tal como estas, é constituído por 4 naipes (numerados de 1 a 10) e respectivas figuras, sendo que o número destas é de 4 em vez de 3, tendo sido
eliminada a figura do Cavaleiro nos actuais baralhos. O que permanece o maior mistério do Tarot, é a existência de 22 Trunfos, denominadas Arcanos Maiores (a palavra “arcano” significa segredo, secreto) para se
distinguirem das 56 restantes cartas ou Arcanos Menores. Os Arcanos Maiores integram uma carta sem número, ou com o número 0 (O
Louco), a única que sobreviveu nos baralhos actuais com a designação de
Joker.
A origem do Tarot é alvo de diversas teorias que, para muitos estudiosos, não passam de meras especulações, e a questão permanece em aberto: onde, como e porquê o Tarot?
Os registos históricos mais antigos remontam ao séc. XV. Em 1415, o duque Visconti Sforza encomendou ao artista Bonifácio Bembo a feitura de um baralho de cartas. As suas imagens constituem um baralho clássico italiano
chamado Tarocchi formado por 4 naipes de 14 cartas, e ainda por 22 cartas chamadas
Trionfi,
sendo esta a actual estrutura do Tarot.
Não tendo a pretensão exaustiva de enumerar todas as teorias existentes acerca da origem
do Tarot, refiro unicamente as que considero de maior interesse:
No séc. XVIII,
Court de
Gébelin (1725-1784) foi o primeiro a sugerir que o Tarot
provinha do conhecimento secreto dos mistérios do Antigo Egipto. Os 22 Arcanos reflectiriam, em símbolos, a sabedoria do Livro de Thoth, deus da magia e inventor da escrita. A palavra “Tarot” teria a sua origem na
expressão em egípcio "TA" (estrada), e "RO" (real).
O Tarot ou a "estrada real" (no sentido de verdadeira) seria a chave para a compreensão dos mistérios da vida, da
morte e do renascimento, temas comuns a todas as tradições iniciáticas.
No séc. XIX, Eliphas Levi (1810-1875) defendeu que o Tarot teria a sua origem no sistema esotérico da
Cabala, estabelecendo uma correspondência entre as 10 sefirotes da “Árvore da
Vida” e os arcanos numerados de 1 a 10, os 4 naipes com as 4 letras do nome sagrado de Deus (Tetragramaton), e os 22 Arcanos Maiores com as 22 letras do alfabeto hebraico, ou seja, com os 22 caminhos da Árvore Cabalística.
A mesma tese foi desenvolvida por Papus
(1865-1916) e por
Aleister Crowley
(1875-1947), representando uma das principais tendências para a compreensão do Tarot à luz da tradição esotérica.
Penso, no entanto, que mais do que a procurar a possível origem do Tarot e sendo difícil circunscrevê-la a uma única tradição, importa encontrar o que de comum existe nas suas diferentes cosmovisões: as forças que
verdadeiramente operam na origem das suas imagens, essas energias de natureza intemporal, que são os símbolos.
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